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O potencial de geração de energia solar fotovoltaica no mundo ainda é altamente subestimado, mesmo com o crescimento do setor fotovoltaico de modo exponencial nos últimos anos. É o que aponta o mais recente estudo publicado pelo instituto de pesquisa alemão Mercator Research Institute on Global Commons and Climate Change (MMC), em parceria com Instituto Fraunhofer para Sistemas de Energia Solar (ISE) e a Universidade de Wisconsin–Madison, no qual revela que o potencial da fonte renovável solar é, ao menos, três vezes maior do que as estimativas atuais para a participação fotovoltaica na matriz energética mundial até 2050.

A queda nos custos dos equipamentos e insumos é um dos fatores decisivos na adoção da energia solar fotovoltaica em grande escala ao redor do mundo. Todavia, segundo um artigo publicado na revista Nature Energy, os pesquisadores do instituto alemão afirmam que a participação da energia solar fotovoltaica na matriz energética mundial poderia ser de 30% a 50% nas próximas três décadas, contrapondo-se ao prognóstico atual que aponta a fonte solar com participação entre 5% e 17% na geração de energia elétrica global para 2050.

De acordo Greg Nemet, um dos pesquisadores, a equipe de cientistas começou a achar estranho as previsões para o setor fotovoltaico levando em consideração a quantidade e o potencial de irradiação solar disponível em todo o planeta, principalmente pelas novas usinas e complexos solares de grande escala construídos nos últimos anos. O pesquisador afirmou à rádio pública de Wisconsin, nos Estados Unidos, que sua equipe olhou para as previsões realizadas há mais de 15 anos e as comparou com os acontecimentos dos últimos cinco anos, revelando que as estimativas foram insuficientes para contemplar a quantidade de energia solar fotovoltaica dos dias de hoje.

Nemet apontou que o crescimento da energia solar fotovoltaica está atrelado a algumas alterações na rede de energia, devido às características principais da microgeração distribuída como a composição de várias unidades geradoras de energia e a produção de energia elétrica renovável ser de acordo com a disponibilidade da luz do sol, ou seja, conforme as taxas de irradiação solar de cada ambiente. Para tal, o pesquisador indica o aumento no armazenamento de energia na rede e também maior acesso às informações por parte dos consumidores sobre os próprios gastos com energia. Nemet também ressalta a necessidade de mudanças na regulamentação de eletricidade dos EUA, tornando-a mais moderna e abrangente à energia solar fotovoltaica.

Para o portal PV Magazine, o principal autor e líder da pesquisa, Felix Creutzig, também afirmou que, para aproveitar todo o potencial de geração de energia solar fotovoltaica, os países industrializados – em especial o G20 – precisam modernizar suas regulamentações para o mercado de energia elétrica e promover melhores soluções de armazenamento a partir de já. O resultado da pesquisa do MMC deve ter grande importância para o próximo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climática (IPCC, na sigla em inglês), servindo como objeto norteador.

De acordo com o chefe da equipe do ISE, Jan Christoph Goldschmidt, ainda existe muito potencial para uma redução ainda maior dos custos da energia solar fotovoltaica, consequentemente, tornando-a ainda mais vantajosa sobre as demais fontes de energia, incluindo algumas fontes fósseis. “Nosso estudo indica que, a partir de orçamentos realistas, a energia fotovoltaica se tornará a fonte de energia mais importante do mundo – pelo menos se tomarmos a sério a proteção do clima e nos concentrarmos no tipo de tecnologia mais econômica”, afirmou Goldschmidt.

Brasil

A energia solar fotovoltaica está em crescimento por todo território brasileiro, entretanto, o potencial para geração de energia elétrica por meio dos painéis solares ainda se mostra pouco explorado. Esse fato dá-se pela diferença entre a incidência solar e aquilo que é aproveitado por sistemas de geração de energia solar fotovoltaica distribuídos por todo o país, seja em usinas solares de grande escala ou sistemas de microgeração distribuída solar.

O Brasil tem capacidade para alcançar a potência solar de 28 mil gigawatts (GW), valor 163 vezes maior do que o potencial hídrico, de 172 GW, e 64 vezes o potencial da energia eólica, 440, 5 GW. Outra vantagem brasileira é a extensa quantidade de áreas com solo subutilizados economicamente, nas quais poderiam ser instalados os painéis solares.

Recorde

Em 2016, a energia solar fotovoltaica bateu o seu recorde de geração e foi a fonte renovável com maior crescimento no ano. Impulsionada pela China, que acrescentou cerca de 70 GW de capacidade instalada solar em um único ano, representando quase metade da expansão global, as fontes renováveis de energia foram responsáveis por quase dois terços da nova capacidade de geração mundial, com aproximadamente 165 GW, de acordo com o relatório Renewables 2017, divulgado pela Agência Internacional de Energia (AIE).

Fontes: ‘https://www.pv-magazine-latam.com/brasil-noticias/estudo-mostra-que-o-potencial-solar-global-ainda-e-altamente-subestimado/’

‘https://www.nature.com/articles/nenergy2017140’

‘https://www.wpr.org/new-research-shows-solar-energy-may-have-been-undervalued’

‘https://www.washingtonpost.com/news/energy-environment/wp/2017/08/25/weve-been-underestimating-the-solar-industrys-momentum-that-could-be-a-big-problem/?utm_term=.9797976b45b4’

‘https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2017/09/24/internas_economia,903044/potencia-inexplorada.shtml’

‘https://exame.abril.com.br/economia/china-impulsiona-boom-da-energia-solar-no-mundo/’

Fonte da imagem: ‘http://pop.h-cdn.co/assets/16/42/1600x800/landscape-1477064128-gettyimages-523222519.jpg’

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