Área do Cliente

Estradas pavimentadas com painéis solares fotovoltaicos altamente resistentes serão construídas na França para a geração de energia elétrica a partir da absorção dos raios solares. Serão 1.000 km de estradas equipadas com a tecnologia projetadas especificamente para suportar tanto o trafego quanto as condições mais adversas do tempo, como neve ou chuva. A previsão é que cada quilometro beneficie 5 mil habitantes, o que significa que, 8% da população francesa,  ao todo 5 milhões de pessoas receberão energia limpa e renovável sem que haja ocupação de qualquer área, seja urbana, rural, ou alteração de paisagens naturais, mas empregando o sistema no próprio espaço ocupado pela pista.

            O projeto, denominado Wattway, deverá ser concluído em 5 anos e será a primeira estrada equipada com tecnologia fotovoltaica do mundo. Se trata de uma parceria de uma empresa de obras rodoviárias, a Colas do grupo Bouygues, e o Instituto Nacional Francês para Energia Solar (INES), e foi sancionado pela Agência Francesa de Meio Ambiente e Gestão de Energia. O sistema não substitui a estrada nem requer que a superfície da pavimentação seja removida, mas em vez disso, foi desenvolvido para ser colado na pavimentação já existente, sobrepondo-a e podendo ser aplicada em qualquer rodovia. Mesmo com apenas 7 milímetros de espessura, o material é forte o suficiente para aguentar até mesmo caminhões pesados, pois após colado na estrada, as placas são revestidos em substrato de resina.

            A principal vantagem de uma estrada como essa é sua utilidade dupla, como via convencional para veículos motorizados e também tornando-se produtora de energia limpa e renovável que deve fornecer eletricidade para semáforos, letreiros eletrônicos, linhas de bondes, assim como residências e comércios. Segundo os criadores do projeto, as rodovias são ocupadas pelos veículos em apenas 10% do tempo, o que faz com o que a superfície da via, voltada para o céu, seja eficaz para a geração de energia a partir dos raios solares. Além disso, o projeto rompe com a natureza frágil das placas solares fotovoltaicas, conciliando esse aspecto com a estrutura robusta da rodovia. Ao ultrapassar essa barreira o sistema apresenta características intrínsecas de uma auto estrada, o atrito, a resistência e, ainda, adapta-se às dilatações térmicas da pavimentação, suporta as cargas dos veículos, garantindo durabilidade à pista e segurança ao tráfego.

            De acordo com o CEO da empresa Colas, Harvé Le Bouc, se um quarto das estradas francesas forem cobertas com essas placas, o país inteiro garantiria independência energética, o que poderia ser alcançado por volta de 2025. Segundo Bouc, desde que a companhia foi visitada pelo presidente da França, François Holland, em 2014, foram abertas mais de mil escritórios da empresa em 50 países. A intenção é a venda do projeto para outras nações nos próximos anos com maior interesse na América do Norte e na Dinamarca, mas se o sistema provar-se efetivo, o resto da Europa irá provavelmente seguir o mesmo.     

            Esse projeto foi lançado na 21ª Conferência do Clima em Paris (COP21), em dezembro de 2015, e faz parte das iniciativas francesas em reduzir as emissões de gases poluentes e melhorar a infraestrutura viária do país. A ministra de ecologia e energia da França, Ségolène Royal, propôs-se a pagar por melhorias na infraestrutura viária da nação pelos aumentos dos impostos sobre os combustíveis, que, segundo ela, foram “naturais” dado a queda dos custos do petróleo. Royal estima que essas taxas podem contribuir entre 200 e 300 milhões de euros ao custo das melhorias, como a estrada solar.

Compartilhe: